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Quem fez a virada

O doce usado como isca que virou uma marca nacional

Rowena Montoya · Fundadora da marca artesanal JulieAnn Caramels

Após perder tudo e ter crédito negado, Rowena transformou uma receita de família em negócio.

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Antes da virada

Em 2009, a crise atingiu o negócio de transportes de Frank, marido de Rowena Montoya e principal provedor da família. Sete dos melhores vendedores saíram, deixando dívidas. O casal vendeu tudo, declarou falência e recomeçou com uma fração da renda anterior. Rowena, cabeleireira de formação e mãe de cinco filhos, não tinha diploma de negócios. Os bancos recusavam crédito. A família passou a morar de aluguel numa casa de aproximadamente 111 metros quadrados.

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Uma receita levada para feiras

Antes da falência, Rowena acompanhava o marido em viagens de trabalho. Para atrair visitantes ao estande dele, fazia caramelos com uma receita aprendida na adolescência. Aos 15 anos, após a morte da mãe, ela fora morar com parentes e aprendera a cozinhar com as tias Julie e Ann. Nas feiras, o doce cumpria sua função: iniciava conversas. Mas os visitantes começaram a fazer outra pergunta: onde poderiam comprá-lo? Sem loja, marca ou pesquisa formal, Rowena já tinha um teste de mercado recorrente.

Parte 2 de 4

A amostra virou produto

Depois do colapso financeiro, Rowena e Frank passaram dois anos viajando para reconstruir a renda. Ela continuou levando os caramelos, começou a oferecer o produto a boutiques e entrou no mercado de presentes corporativos. Também fez cursos em um centro de apoio a pequenos negócios. Em 2012, abriu a JulieAnn Caramels, batizada em homenagem às tias. Sem financiamento bancário, bancou o crescimento com o próprio caixa. O produto que antes servia como brinde passou a ser embalado, precificado e vendido.

Parte 3 de 4

Ela não vendeu apenas caramelo

Rowena apostou em ingredientes reconhecíveis, manteiga de uma leiteria local e sabores pouco comuns. Criou versões como maple bacon, coco com limão, manga com habanero e abacaxi com habanero. Em vez de disputar apenas pelo doce tradicional, construiu variedade e memória de produto. A versão de abacaxi com habanero foi finalista do sofi Award de melhor produto novo em 2016. Naquele momento, a empresa ainda vendia em apenas nove lojas de Salt Lake City. O prêmio gerou pedidos de amostras e tabelas de preços de outros estados.

Parte 4 de 4

Crescer sem esconder o aperto

A JulieAnn entrou em redes como Harmons e Associated Foods, abriu uma pequena loja em Sandy, Utah, e passou a enviar pedidos para todos os Estados Unidos. Em 2019, a marca já aparecia em lojas pelo país e havia sido apresentada na Home Shopping Network. O crescimento continuou limitado pelo caixa: Rowena chegou a recusar pedidos grandes por não conseguir comprar ingredientes ou máquinas. Um microcrédito permitiu aceitar uma dessas encomendas e instalar equipamento para cortar e embalar mais rápido. A empresa hoje oferece mais de 40 sabores.

Em números

Negócio aberto em 2012

9 lojas em Salt Lake City em 2016

mais de 40 sabores

envios para todos os Estados Unidos

O que dá pra copiar

Antes de investir numa estrutura, observe o que as pessoas já pedem para comprar. Rowena descobriu a demanda oferecendo amostras em outro contexto. Depois, transformou essa reação em produto, testou boutiques e presentes corporativos e só ampliou a capacidade quando surgiram pedidos concretos. Um pequeno negócio pode copiar a sequência: amostra, conversa, pré-venda, lote curto e reinvestimento. Diferenciação também conta: um sabor específico abriu mais portas do que um catálogo genérico.

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